Leia a carta escrita por Alvimar de Oliveira Costa
Belo Horizonte, 14 de março de 2008
Desde que o futebol existe é um direito sagrado do torcedor protestar quando não gosta do espetáculo. As vaias servem para mostrar a insatisfação com a atuação de árbitros, assistentes, “ceras” de times, substituições equivocadas, frangos e até com os próprios ídolos. Mas o que temos visto ultimamente é uma impaciência exagerada de alguns torcedores, manifestações precipitadas e pré-julgamentos errôneos.
Se a gente voltar um pouco no tempo vamos relembrar a primeira partida do Cruzeiro na temporada. Na goleada contra o Uberaba, o lateral Marquinhos Paraná passou a ser apupado na terceira vez que tocou na bola. A torcida presente ao Mineirão queria que o reserva Apodi estivesse em campo. Dois meses depois o que a gente vê? O Marquinhos Paraná é um dos jogadores preferidos dos cruzeirenses, enquanto o Apodi agora é hostilizado. O que aconteceu no primeiro jogo foi uma avaliação sem critério.
No empate contra o Atlético, mesmo com o Cruzeiro na liderança do Campeonato Mineiro e sem correr nenhum risco de cair para a segunda colocação, nossos jogadores enfrentaram outra reação inesperada dos torcedores. No segundo tempo, os gritos de “raça, raça” passaram a ser entoados por parte da arquibancada. O técnico Adilson Batista chegou a fazer sinais, pedindo um pouco de paciência. Mais uma vez parece ter havido uma dose desproporcional nos protestos. Naquela mesma semana, o Cruzeiro teve uma partida dificílima na Libertadores contra o Caracas, no Mineirão, em um jogo que antes da bola rolar, era tido pela imprensa como um dos mais complicados para o nosso time. Vencemos jogando muito bem, marcando três gols e arrancando elogios em toda a América do Sul.
Mas no clássico, o Cruzeiro sentiu o desgaste da partida anterior e, prova disso, é que terminamos o jogo contra o Atlético com quatro atletas andando em campo, sem a menor condição de disputar jogadas mais fortes. A dedicação dos nossos jogadores tem sido extraordinária. Sem medir esforços, todos se entregam de corpo e alma. Basta olhar a relação dos profissionais que estão se recuperando de contusões devido a maratona de partidas e desgaste em campo. A bravura de todo o grupo na temporada tem sido recompensada até aqui. Estamos na liderança de duas competições e com esperanças de brigar pelos títulos.
Na quinta-feira sofremos o nosso primeiro revés do ano. Com a necessidade de poupar os titulares para a seqüência da Libertadores, o Adilson Batista colocou em campo um time com uma formação nova. Dos 11 titulares, apenas o Jonathan começou o jogo contra o Rio Branco. A derrota poderia ser atribuída a uma infelicidade do goleiro e também à falta de sorte. Acertamos duas bolas na trave e ainda contestamos um pênalti não marcado pelo árbitro. Diante de tudo exposto, quero dizer que não vejo motivo para vaias, xingamentos e hostilizações aos nossos profissionais. Todos os principais times do Brasil, da primeira e segunda divisões, já haviam perdido em 2008 e jogando com o time completo.
Não vamos repetir as cobranças apressadas do passado. Por muito pouco os ídolos Sorín e Alex não passaram pela história do Cruzeiro como jogadores inexpressivos. Foi o tempo que mostrou o valor deles.
O torcedor tem todo o direito de manifestar a sua insatisfação com o time diante de fracas atuações, mas vamos esperar pelo menos o termino das partidas. Vaiar nossos próprios jogadores com a bola rolando não ajuda em nada, pelo contrário, só aumenta a pressão em cima deles. Não se esqueça que nossa equipe é formada por vários jovens que precisam, acima de tudo, do apoio de quem realmente torce pelo nosso sucesso.
A torcida do Cruzeiro tem dado uma enorme demonstração de amor e paixão pelo clube. A sinergia entre torcedores e jogadores foi fundamental na nossa classificação para a Libertadores e na boa campanha até aqui. Não deixe quebrar essa corrente. Você, que sempre defendeu o nosso clube, pode ser fundamental no êxito do time.
Um grande abraço
Alvimar de Oliveira Costa